Eclipse Phase evita clichês da Ficção científica. E o melhor: é de graça.

Postado por Pedro Henrique Leal

O mais recente título da Catalyst Game Labs, Eclipse Phase, traz uma excelente inovação ao mercado de RPG: é o primeiro título de RPG a ter a licensa Creative Commons, autorizando a distribuição gratuita do material. Em outras palavras: Podem baixar a vontade, o material foi liberado. O título se refere ao estágio da infecção viral onde a célula não aparenta estar infectada, mas o vírus já está dentro dela.
Como todos os títulos recentes da Catalyst, Eclipse Phase prima pela qualidade do livro em si; A direção de arte de Mike Vaillancourt, que parece ter virado a marca da empresa tem uma das suas melhores manifestações no tomo de 400 páginas à cores. Mesmo em Pdf, a qualidade das ilustrações não se perde; mesmo para quem não tem interesse por RPGs de Ficção Científica, Eclipse Phase é um dos mais belos livros de RPG do ano. Infelizmente, nem todas as ilustrações estão onde deveriam estar; várias "criaturas" estranhas carecem de ilustrações, enquanto "humanos" normais são fartamente cobertos pela arte do livro.
Eclipse Phase é claramente inspirado pelas teorias Trans-humanistas e Pós-Humanistas de Anders Sandberg. Ao invés das clássicas civilizações alienígenas e confederações ou impérios interestelares, Eclipse Phase mostra um futuro onde os limites do que é "Humano" estão esticadas ao máximo. De corpos "naturais" até enxames de nanomáquinas, passando por animais superinteligentes, a "humanidade" de Eclipse Phase é irreconhecível. Alcança-se a vida "eterna" pela digitalização do ego: a mente é preservada na "máquina", podendo ser transferida para um novo corpo, conforme o desejado.
Como não se trata só de um jogo de FC, mas também um jogo de horror, as coisas não são tão simples. Apesar da "imortalidade" do Ego, o corpo, e em alguns casos os "backups" da mente estão ameaçados pelo misterioso virus Exsurgent, e a Terra encontra-se abandona após a revolta dos TITANs, Inteligências artificiais criadas a séculos, cujas armas ainda vagam pelo planeta, caçando todos aqueles que sejam tolos a ponto de voltar a Terra-mãe.
As regras são simples no quesito resolução: soma se a aptidão com uma perícia, joga-se um d100, e se compara o resultado; resultados menores que a soma são sucessos, e maiores são falhas, como em quase todos os sistemas baseados em d100. É na criação e na customização de personagens que Eclipse Phase se destaca: As aptidões e perícias dos personagens são determinadas por sua origem, por sua facção e pelo tipo de corpo; o último pode ser trocado a vontade, embora a mudança de corpo envolva gastos financeiros por parte do personagem, e  encorra em certos riscos, como não se adaptar corretamente ao novo corpo.
Entre exemplos de origem, temos "Hiper-elite", "Colono Lunar", e as três mais interessantes, "Uplift", animais aprimorados para terem inteligência humana, "Perdido", membros da "geração perdida", basicamente, super soldados que não deram certo, e "Re-Instatado", um "sobrevivente" da queda da Terra... Em um corpo novo.
Quanto as facções, os destaques vão para os Barsoonians, a classe baixa das colônias de marte, vistos pelo resto do sistema solar como sendo "caipiras", os Mercurials, que não tem o menor interesse em preservar a sua humanidade, ou sequer aparentar isso; corpos robóticos ou vida digital é comum entre eles. E os Jovians, essencialmente o oposto dos Mercurials, os colonos de Júpiter que buscam preservar a humanidade "verdadeira" não importa o custo.


Os corpos são a parte mais única de Eclipse Phase: além de inúmeras variedades do corpo humano (do Flat, um corpo natural, sem aperfeiçoamentos, até o Remade, o humano 2.0, melhor em todos os aspectos.), existem vários corpos no livro básico para interesses mais estranhos, como o Nova Crab (um caranguejo gigante, ou melhor, um caranguejo inimigo gigante) e o Nanoswarm (um enxame de nanorôbos), além de corpós robóticos mais comuns, ou uma aranha robótica. Outra possibilidade é o Infomorph, que é basicamente viver como um programa.
Outra mecânica interessante são os backups do Ego e o "Ego-Casting". Através de backups de personalidade, é possivel "salvar o jogo"; caso algo aconteça, é só colocar o backup em um corpo novo, e reaprender algumas coisas. Já Ego-Casting é a viagem quase instantanea entre colônias, naves e habitats, transferindo a mente para um corpo a espera no destino.
Devido a troca de corpos, os valores das perícias e das aptidões podem mudar com uma frequência alarmante; isso pode ser confuso, e vai resultar em muitas cópias da mesma ficha de personagem. A presença de dois valores para as aptidões também pode ser confuso, dado que o os valores do corpo devem ser somados aos do ego, mas a ficha não deixa isso claro.
O pdf pode ser fácilmente encontrado gratuitamente, e quem acha que os autores merecem seu dinheiro podem compra-lo por em torno de 15 dólares; o livro impresso saí por 50 dólares.

Cthulhutech: Lovecraft X Evangelion, e funciona!

Postado por Pedro Henrique Leal

Numa mistura aparentemente insolubre do horror cósmico do autor americano Howard Philips Lovecraft, autor de clássicos do horror como "A sombra sobre Innsmouth" e "O chamado de Cthulhu" com a estética da animação japonesa e os artefatos de combate gigantescos de séries como Macross, Rahxephon e Evangelion. Cthulhutech é um dos mais estranhos RPGs dos anos recentes, e surpreendentemente, faz com que essa combinação "impossível" dê certo.
O cenário de Cthulhutech é a "Aeon War", uma guerra de 7 anos, sem previsão de terminar, contra inimigos além da compreensão humana. O ano é 2085, a "Era Estranha", e estamos em guerra contra alienígenas, entitades extradimensionais incompreensíveis, e cultos demoníacos ao redor do mundo. De maneira simples, estamos ferrados. Os avanços teconológicos da área da "Arcanotecnologia", junto com a aliança com os "Nazzadi", uma falsa espécie alienígena, criada através de engenharia genética para atacar a humanidade, permitem que a humanidade resista. E nessa bagunça toda, a maior arma da humanidade são os Engels, nem máquinas, nem seres vivos, fruto da combinação de arcanotecnologia com o DNA Humano, Nazzadi e sabe-se lá do que mais, como o próprio livro coloca, os gigantescos Engels são a última linha de defesa da terra, e uma das suas maiores ameaças. Longe dos olhos do Novo Governo Terrestre, e do público em geral, a misteriosa Sociedade Arcana e seus soldados Tagers (Baseados em Guyver e no traje simbiote do Homem-Aranha) combatem as Crias do Caos e seus seguidores monstruosos.
O livro em si é muito bem acabado, ao menos na sua terceira publicação, feita pela Catalyst Game labs. As duas primeiras, da Mongoose Publishing foram mais problemáticas. A edição atual, com 288 páginas e capa dura é completamente colorida, e assim como as anteriores, tem a excelente direção de arte de Mike Vaillancourt, que também trabalhou no recente Eclipse Phase e na quarta edição de Shadowrun. As edições da Mongoose são um tanto diferentes. A primeira impressão tinha capa mole, e era em cores, mas teve diversos problemas de produção, incluíndo páginas em branco e tinta que facilmente borrava. A segunda, já com capa dura, feita para compensar a péssima publicação inicial, infelizmente é em preto e branco, prejudicando a arte,  e em algumas páginas, dificultando a legibilidade.
Quanto ao jogo propriamente dito, Cthulhutech usa o sistema Framewerk, onde as ações são resolvidas com um pilha de dados de dez faces igual ao valor da habilidade sendo usada, similar ao que se vê em Storyteller, por exemplo. Porém, ao invés de se somar o resultado de todos os dados, ou de se contar quantos dados passam de um valor "X", em Cthulhutech o resultado da ação é determinado somando ou todos os dados iguais, ou a maior sequência, ou usando o maior valor de um dado. A esse resultado é somado a base, que é o atributo natural (por exemplo, força) no qual a ação é baseada. Por causa do aspecto "Caneco" do Framewerk, jogadores menos acostumados com o sistema podem tornar o jogo lento. O primeiro suplemento de Cthulhutech, Vade Mecum, sugere um sistema alternativo, usando um baralho comum no lugar dos dados, tornando o jogo uma versão um tanto estranha de poker.
Adicionalmente, os personagens jogadores tem "pontos de drama" que podem ser usados para conseguir mais dados, ou para tirar dados das ações de outro personagem. Como todo RPG baseado em H.P. Lovecraft, Cthulhutech conta com regras para lidar com medo e com insanidade, consequencias "naturais" de lidar com o inimaginável. Diferentemente do clássico Call of Cthulhu, a insanidade não é algo efetivamente intratável, nem algo impossível de se evitar, de maneira a garantir que haja tentativas dos jogadores de serem mais heróicos, ao invés de ficarem apenas agindo como detetives.
Apesar de ser um tanto esquisito, Cthulhutech é um ótimo título para fãs de Lovecraft de mente aberta, assim como para fãs de Evangelion, Rahxephon, Macross ou Guyver, e o material adicional do "Vade Mecum" de Cthulhutech facilita criar campanhas ao estilo Homens de Preto ou Arquivo X durante a "Era Estranha". O livro básico está disponível pela Paizo por 44,99 dólares, um tanto fora dos padrões de consumo do Rpgista joinvilense, mas vale apena.

Game Development School 2009

Postado por Pedro Henrique Leal

A editora Jambô e a Dinamo Estúdio estão promovendo junto com a Unisinos o Game Development School 2009. O evento irá ocorrer no campus da Unisinos em São Leopoldo (RS) nos dias 21 e 22 de novembro.
Atrações confirmadas do evento :

  • Presença confirmada dos escritores da Jambô – Leonel Caldela e Gustavo Brauner;
  • Presença de Rogério Félix colunista da revista EGW e professor da SAGA Art School ministrando uma oficina de Maya;
  • 8 palestras ministradas pelos acadêmicos e docentes da Unisinos, Luciano Augusto, Mura Games, Napalm Studio, Aquiris, Jambô Editora e Dinamo Studio;
  • 5 tutoriais ministrados pelos acadêmicos do curso de Jogos Digitais/Unisinos, TW Games (São Paulo), Universidade de Passo Fundo (UPF) e Dinamo Studio;
  • 4 oficinas em laboratório ministradas pelos acadêmicos e docentes do curso de Jogos Digitais/Unisinos, Just Play IT e SAGA Art School (São Paulo);
  • 2 atividades voltadas para o Ensino Médio. Uma palestra sobre o mercado de Jogos Digitais e uma oficina prática para desenvolver jogos 2D;
  • Realização da Unofficial Mario AI Competition;
  • Mostra de Vídeo QR Expo (Comunicação Digital);
  • Festival de Jogos Independentes;
  • Mostra de Arte Conceitual;
  • Torneio Especial Jambô Unisinos Magic: The Gathering promovido pela Jambô Editora;
  • Campeonato Guitar Hero Mettalica;
  • Campeonato Rock Band;
  • Mesas de RPG, board games e card games;
  • e os stands Jambô e Dinamo Studio.
fonte:  .20

Quadrinhos da Marvel disponíveis no iPhone

Postado por Pedro Henrique Leal

Fãs dos quadrinhos da Marvel e que possuem um iPhone ou um iPod Touch receberam uma ótima notícia nesta sexta feira, dia 30 de outubro. A editora disponibilizou para a compra edições clássicas de seus personagens para quatro softwares de leitura do iPhone de iPod Touch (iVerse, PanelFly, ScrollMotion e ComiXology). Com isso, o iPhone e o iPod se juntam ao PSP e ao serviço por assinatura Marvel Digital Comics Unlimited na distribuição dos quadrinhos da editora, dona de clássicos como o Incrível Hulk e o Homem-Aranha. O acervo digitalizado da Marvel conta atualmente com mais de 7000 edições, com mais revistas sendo adicionadas todas as semanas